São Paulo, 29 de abril de 2009 – Qual será o sistema operacional do seu próximo telefone móvel? Essa pergunta poderia parecer estranha há alguns anos, mas se tornou uma questão comum hoje em dia.
Com a popularidade dos smartphones, que estão custando menos e trazem cada vez mais recursos para conquistar o usuário final, há diversas opções no mercado de telefonia móvel.
“As melhorias em aspectos como usabilidade, interface, design e funções continuarão a gerar interesse por esses aparelhos entre os consumidores”, acredita Roberta Cozza, analista do Gartner.
E, à medida que eles se tornam mais numerosos, o sistema operacional ganha um papel cada vez mais relevante.
Altos e baixos
O Symbian ainda é o número um, com 52,4% desse mercado, segundo números do Gartner relativos ao ano passado.
O sistema, porém, vem perdendo um espaço considerável nos últimos tempos. Na comparação entre 2007 e 2008, a queda foi de 6,1 pontos percentuais, de acordo com o mesmo estudo.
“Nossa previsão é de que a fatia do Symbian continue a sofrer quedas, embora ele ainda deva ser responsável pela maior parte do mercado. Porém, a adoção do modelo de código aberto, anunciada com a Symbian Foundation, pode auxiliar a Nokia a aumentar a competição no mercado de smartphones para usuário final”, acrescentou a analista.
Ao mesmo tempo, ele enfrenta a disputa com concorrentes de peso: BlackBerry OS (que subiu 96,7% no período e conquistou uma fatia de 16,6%), iPhone OS (+245,7% e já com 8,2% do mercado mundial) e Windows Mobile (+12,2% e market share de 11,8%).
Dois outros competidores correm por fora: o Google Android, baseado em Linux, e, em breve, o webOS, da Palm, que ainda não estreou no mercado.
“O smartphone está cada vez mais potente. Mas, além de desempenho, os usuários também querem facilidade de uso e ferramentas voltadas ao lazer”, avalia Vinícius Caetano, analista sênior de telecom da IDC.
Nova estratégia
A principal iniciativa nesse sentido foi a App Store, a loja virtual de aplicativos criada pela Apple. Com ela, qualquer dono de iPhone pode baixar programas que reúnem as mais variadas funções: vão desde ferramentas de e-mail e organizadores de arquivos até jogos e passatempos.
O sucesso é incontestável: cerca de nove meses depois do lançamento, o número de downloads já passou de um bilhão.
Isso facilitou tanto a vida do usuário, que normalmente não encontrava um ponto comum onde pudesse baixar os softwares, que a ideia foi seguida por diversas outras fabricantes.
E a disputa no mercado ganhou um novo componente-chave. Mais do que o software que faz o aparelho funcionar, a plataforma hoje precisa rodar bons programas.
Com isso, as empresas pretendem trazer para a pequena tela do celular os serviços que já estão disponíveis na internet quando se usa um computador, por exemplo.
“A base de aparelhos vem crescendo e, ao mesmo tempo, podemos notar movimentos como o BlackBerry indo na direção do uso pessoal e o iPhone mirando o usuário corporativo”, acrescenta Caetano.
No início deste mês, a Research In Motion sinalizou que realmente não quer ficar de fora e também lançou sua própria loja virtual, a App World.
“Indo além do e-mail móvel, a variedade de aplicativos e conteúdo será um fator crítico para essa fabricante seguir em frente”, avalia Roberta, do Gartner.
O Windows Mobile 6.5, que ainda não foi lançado, também terá um espaço online parecido, onde os desenvolvedores poderão distribuir ou comercializar seus aplicativos.
A Nokia criou a Ovi Store, que estará disponível em maio deste ano, enquanto a Palm já anunciou iniciativa semelhante para o webOS.
“No entanto, a preferência pela marca, na verdade, ainda dita a escolha do sistema operacional. Ao contrário do que acontece com os computadores, ele não é vendido separadamente”, diz o analista da IDC.
O que já tem acontecido, entretanto, é que os usuários mais avançados de celulares escolham a marca de acordo com o sistema operacional. E esse movimento tende a crescer.
Futuro
O Android, que foi lançado no ano passado mas não é exatamente um sucesso de público, deve ganhar mais adeptos na segunda metade deste ano.
Grandes fabricantes como LG, Samsung e Motorola devem lançar dispositivos equipados com o sistema operacional baseado em Linux, o que provavelmente vai aumentar sua participação no setor de sistemas operacionais móveis.
Neste ano, para o Gartner, as vendas de dispositivos com o software do Google devem ser apenas “modestas”.
A venda de smartphones, ao contrário, deve chegar a 190 milhões de unidades. Esses aparelhos devem responder por cerca de 15% do total de telefones móveis, percentual que saltaria para 40% por volta de 2012.
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